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Sabores do Mundo: A origem dos pratos mais famosos

  • Foto do escritor: Pedro Teles Marin
    Pedro Teles Marin
  • 13 de jun. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 15 de jun. de 2025

A gastronomia carrega consigo inúmeras histórias, tradições e legados. A origem de alguns dos pratos mais famosos do mundo é uma dúvida e uma curiosidade que as pessoas costumam ter, o que será respondido nesta matéria.


Imagem de vários pratos típicos
FOTO: GEMINI - IA

A gastronomia se reflete na cultura e vice-versa. O aspecto social e cultural são alguns dos pilares da gastronomia, já que a mesma é uma construção advinda destes fatores. Socialmente, há a divisão de grupos étnicos e com eles as tradições e legados são passados à frente, e a partir disso, há um encontro de ideias e como consequência do tempo, há a partilha destes ideais e a criação de novas tradições. Os pratos típicos de alguns países, e regiões do mundo, carregam consigo inúmeros significados afetivos e hereditários. São narrativas construídas a favor de uma história, escrita pelos pioneiros de um povo, de uma identidade, acerca de uma imigração, aspectos religiosos, tradições familiares e histórias, com a valorização de suas verdadeiras raízes.


Nesta reportagem, você irá descobrir a origem de alguns dos pratos mais conhecidos no mundo, em especial, no Brasil. Desde o início da humanidade o ato de cozinhar esteve presente, e com isso houve o aprimoramento de técnicas, além de o compartilhamento dessas técnicas, receitas e ingredientes ao redor do mundo. As rotas comercias, marítimas e a imigração foram fatores importantíssimos que influenciaram a partilha de conhecimentos, ingredientes e receitas - adaptando-as conforme o local onde elas foram partilhadas. O ato de cozinhar é cultural, é humano e sobretudo, uma ação que constitui a identidade de um povo.


Vamos começar com o Ceviche, que por sinal não é de origem japonesa, é de origem peruana. O prato tem suas raízes ligadas aos povos Moche e Incas, que habitavam a costa do Peru, que costumavam comer peixe cru com o suco de frutas ácidas, como o Tumbo, para preservar o alimento há mais de dois mil anos. Era feito uma marinada com o sumo desta fruta, o que preservava o peixe. No século XVI, houve a chegada dos portugueses, foi incorporado à receita limão e cebola roxa, se assemelhando ao que hoje conhecemos como Ceviche. Este prato é um dos mais importantes para a cultura peruana, tendo se tornado Patrimônio Cultural da Nação Peruana em 2004.


Quem gosta de um bom churrasco? Eu gosto, e pelo visto os povos ancestrais também gostavam! Tudo começou com os primeiros humanos, que descobriram que ao assar a carne, ela ficava mais macia e com um sabor melhor do que se comê-la crua, sem contar em sua durabilidade. Na América do Sul, os indígenas colocavam a carne sobre uma madeira específica, denominada "madeira verde" sobre o fogo, onde era assada. A técnica era usada para conservação. O churrasco que comemos no domingo tem influência dos argentinos e uruguaios sobre os gaúchos do Rio Grande do Sul. A partilha da técnica surgiu em meados do século XVIII, onde a carne bovina era colocada em espetos e temperada com sal grosso, e depois era assada de forma cautelosa no conhecido Fogo de Chão. Já os tropeiros, assavam em brasa, o que é mais comum vermos hoje, já que a forma mais acessível de se fazer um churrasco é em uma churrasqueira. Houve uma influência no churrasco norte-americano e no assado argentino, o que revela uma partilha de culturas e de identidade.


De frango ou de Filet Mignon? O estrogonofe foi criado no século XIX, em homenagem ao Conde Pavel Stroganov, membro da nobreza russa. A receita original de 1891, de Elena Molokhovets consistia em tiras de carne bovina, cozidas em molho de creme azedo e mostarda. Caro leitor, você sabia que a culinária francesa influenciou a russa? Isso porque os nobres russos contratavam chefs franceses, onde teve o uso do creme de leite na receita. Com o passar dos anos, houve a imigração e com ela, mais países dotaram do prato famoso, e assim o adaptaram. No Brasil, a receita se instaurou em 1960, e se popularizou fazer com peito de frango e ketchup. Particularmente, a receita é feita com vinho branco, mas uma boa opção é utilizar conhaque, além dos outros ingredientes como, cogumelos, cebola, carne bovina (Em especial o filet mignon) ou de frango, creme de leite, passata de tomates ou ketchup e mostarda. O estrogonofe é popularmente servido com arroz e batata palha, mas vai do gosto de cada um.


O Pastel de Belém ou Pastel de Nata é uma criação totalmente portuguesa, tendo sido inventado no século XIX pelos monges do Mosteiro dos Jerônimos, localizado em Belém - Lisboa | Portugal. Nos mosteiros, era usada uma grande quantidade de claras de ovos para engomar as roupas, o que fazia com que sobrasse muitas gemas. Com o intuito de acabar com o desperdício, foram criadas receitas de doces, como o Pastel de Belém. Em 1820, houve uma revolução chamada Revolução liberal, o que fez com que o mosteiro fosse fechado, e obrigou os monges a vender os pastéis para terem um modo de subsistência. Dezessete anos depois, a receita foi passada a uma confeiteira, que fundou uma fábrica dos mesmos doces, onde é muito popular até os dias de hoje. Os pastéis vendidos nesta fábrica são conhecidos como Pastéis de Belém, já os outros semelhante vendidos em outros lugares, são conhecidos como Pastéis de Nata.


No Brasil, quarta-feira e sábado é dia de Feijoada! Segundo uma lenda, a iguaria foi inventada pelos escravizados, mas segundo dados obtidos por pesquisadores, a feijoada que conhecemos hoje é uma adaptação, obtida no século XIX, de um cozido português. Pratos como este tal cozido e o cassoulet francês, incorporavam no caldo do feijão carnes variadas, o que remete ao que conhecemos hoje como feijoada. Também no Império Romano, alguns pratos consistiam em cozinhar o feijão com legumes. Na feijoada brasileira, o feijão preto é uma das grandes estrelas, onde é acrescido de linguiça calabresa, paio, carne seca, costela, rabo, orelha, língua de porco. É servida com arroz branco, couve refogada, farofa e laranja. Foi popularizada em restaurantes cariocas e pernambucanos, e conquistou o Brasil com seu sabor e história.


FOTO: gerada por inteligência artificial | Gemini



Termino esta reportagem dizendo que, com o passar dos anos há a partilha de informações, culturas e identidades, o que reforçam estas mesmas denominações e afloram umas às outras. Conhecer a cultura de outros países é uma vertente que permite conhecer mais sobre o ser humano, são nos detalhes que estão as maiores informações, os legados e principalmente a história de uma nação.




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