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Raízes do Baque valoriza cultura afro-brasileira em encontro de ritmo, tradição e resistência

  • Catarina Oliveira e Isabela Degaspare
  • 26 de jun.
  • 4 min de leitura

O evento Raízes do Baque reuniu música, ancestralidade e celebração cultural em um dia marcado pela força dos tambores e pela valorização das tradições afro-brasileiras. Realizado recentemente, o encontro destacou a importância do maracatu como expressão artística e de resistência cultural, atraindo público diverso e engajado.


Foto: Arquivo
Foto: Arquivo


Um evento que conecta tradição e identidade


O Raízes do Baque surge como uma iniciativa voltada à valorização das manifestações culturais afro-brasileiras, especialmente as tradições de Pernambuco, com destaque para o maracatu — uma das expressões mais simbólicas dessa herança. 

O projeto foi idealizado e organizado por estudantes de Publicidade e Propaganda do Centro Universitário Belas Artes em parceria com a OCA Escola Cultural, com o objetivo de valorizar e dar visibilidade à cultura afro-brasileira por meio da arte e da música. 

O nome da iniciativa carrega um significado profundo. “A gente trouxe a palavra ‘raízes’ porque queremos trazer a essência do que realmente é o maracatu, e a palavra ‘baque’ se refere às batidas dos tambores, especialmente as alfaias, que conduzem o ritmo”, explicou Marília Paulo, organizadora do evento.

 Esses sons vão além da musicalidade: carregam história, espiritualidade e resistência, representando séculos de luta e preservação cultural.


Foto: Arquivo
Foto: Arquivo

A força do maracatu e seu papel cultural


“Mais do que uma manifestação pernambucana, o maracatu é um patrimônio cultural que representa a resistência das populações negras no Brasil. Hoje, inclusive, existe uma competição em Recife, semelhante às escolas de samba em São Paulo”, relatou Iago Vasconcelos, integrante do grupo de maracatu e da OCA. Com raízes que remontam ao período colonial, a manifestação reúne elementos de religiosidade, cortejos reais e tradições africanas adaptadas ao contexto brasileiro.

Durante o encontro, essa herança se manifestou de forma intensa por meio dos ritmos, das cores vibrantes dos figurinos, das danças e da presença marcante do grupo participante. Cada apresentação trouxe não apenas entretenimento, mas também uma narrativa sobre identidade, ancestralidade e continuidade.

Para Iago, o maracatu representa muito mais do que música: “Além da liberdade corporal, o maracatu fala muito de história, representa a minha história e a do Brasil, especialmente a do povo preto”.


Foto: Arquivo
Foto: Arquivo

Programação intensa e envolvente


A programação foi marcada pela apresentação dos integrantes da OCA, que proporcionaram ao público uma experiência rica e sensorial. Ao longo da tarde, o som dos tambores ecoou pelo espaço, criando uma atmosfera vibrante e contagiante.

O grupo se destacou pela energia das performances e pela conexão estabelecida com o público. A apresentação contou com danças expressivas, figurinos tradicionais e momentos de interação que aproximaram artistas e espectadores.

Além das apresentações musicais, o encontro também promoveu momentos de troca e aprendizado, com oficinas de dança e ensino de batuque, incentivando a participação do público, tornando a experiência ainda mais imersiva. 

Em meio ao som dos tambores e à vibração do público, Yasmin Monteiro resumiu o sentimento do momento: “A gente aprendeu a dançar e tocar batuque com eles. Depois de ver o cortejo, foi incrível, um encontro nota 10” . 

O clima do evento foi de celebração coletiva — uma mistura de alegria, respeito e reconhecimento cultural. O som pulsante das alfaias, combinado às vozes e movimentos, transformou o espaço em um verdadeiro território de expressão cultural. 






Foto: Arquivo
Foto: Arquivo

Impacto cultural e fortalecimento da comunidade


Iniciativas como o Raízes do Baque desempenham um papel fundamental na valorização da cultura afro-brasileira e na construção de espaços de visibilidade e reconhecimento. Ao promover o acesso a essas manifestações, o evento contribui diretamente para a preservação das tradições e para o fortalecimento da identidade cultural.

A celebração do maracatu também abriu espaço para que o público conhecesse o trabalho da OCA Escola Cultural, uma organização que teve início na Aldeia de Carapicuíba. A instituição desenvolve atividades voltadas a pessoas de diferentes idades, oferecendo cursos e vivências ligados à cultura brasileira e à cultura da infância, como música, dança e capoeira.

Dentro de seu território de atuação, a OCA também se dedica à valorização de expressões da cultura pernambucana, como o frevo e o próprio maracatu, reforçando a preservação dessas tradições e o acesso à herança cultural brasileira.

“Algo muito importante sobre a OCA é que estamos inseridos em uma cidade composta, em sua maioria, por pessoas migrantes. Nesse contexto, quando a ONG promove o resgate da cultura e da infância dentro desse território, ela valoriza os saberes e a identidade de toda a população. Assim, conseguimos gerar mudanças concretas na vida de milhares de crianças e adolescentes, que passam a crescer com uma outra perspectiva de mundo, de educação e de cultura.”, explicou Danielle Bidoia, coordenadora do Centro de Formação da OCA.

Além disso, iniciativas como essa ajudam a aproximar novas gerações dessas expressões, garantindo que esse patrimônio continue vivo e relevante.

Mais do que um dia de apresentações, o Raízes do Baque se consolidou como um espaço de resistência cultural e celebração da identidade. A expectativa é que iniciativas como essa continuem crescendo, ampliando o alcance e mantendo viva a força do baque.

 

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