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A Arte Vale: Oficinas em São Paulo e o contato dos jovens com a arte

  • Foto do escritor: Isabela Salomão
    Isabela Salomão
  • 7 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura

“A arte vale, vive, e eu vivo por ela” 



Oficina de Biscuit - Foto: Isabela Salomão
Oficina de biscuit "A Arte Vale" - FOTO: Isabela Salomão

A cidade é o reflexo vivo das pessoas que vivem nela. É através da cultura, da arte, da culinária, das danças e de tantas outras formas de expressão que uma cidade se revela. O estado de São Paulo, em especial, é extremamente rico em diversidade, com uma mistura de olhares, vozes e histórias que convivem entre si e, por isso, cada uma de suas cidades e de seus bairros conta uma história diferente. Há sempre algo novo a ser descoberto, o que torna cada experiência única. 


Para conhecer, verdadeiramente, uma cidade, é necessário entender quem vive nela e como cada uma dessas pessoas se expressa, para além de visitar pontos turísticos e centros culturais. A arte é uma das formas mais bonitas de se compreender a relação das pessoas com a vida, traduzindo aquilo que não é dito. Não existe uma maneira certa de ser artista e nem uma hierarquia dentre as formas de expressão, toda arte carrega em si o poder de tocar alguém, provocar uma reflexão, ou até mudar uma percepção sobre o mundo. 


Em São Paulo, e nos dias de hoje, muitos jovens, principalmente pela cultura do imediatismo, têm se afastado da arte, ainda mais das formas tradicionais dela. Idas aos museus têm se tornado mais raras, a quantidade de cinemas de rua diminuiu bruscamente, a arquitetura tornou-se minimalista, a poesia foi em versos curtos para se adequarem às redes sociais e outros tipos de arte deixaram de ser levados à sério como antes eram. A pressa e a necessidade de se manterem conectados o tempo todo tornou a arte mais difícil de ser compreendida, com poucos querendo absorver de fato as mensagens sendo transmitidas. 


Ainda existem, por sorte, pessoas que lutam muito pelo reconhecimento da arte, que acreditam em seu poder transformador e dedicam suas vidas a mantê-la viva e levarem ela para mais pessoas, como é o caso de Valentina Zerilli, artista plástica e visual, de 18 anos, que criou sua própria marca, A Arte Vale. Sua relação com a arte começou muito cedo, através de maquiagens artísticas, que aprendeu a fazer por conta própria, e usava para explorar seus próprios sentimentos. Para ela, foi algo natural e encontrou em suas artes não apenas um refúgio, mas também um espelho de si mesma.


Oficina de Biscuit - Foto: Isabela Salomão
FOTO: Isabela Salomão

Com o tempo, explorou cores, texturas e formas até que descobrisse aquilo que fazia os seus olhos mais brilharem e essas foram as peças de biscuit. Hoje, o biscuit está mais presente em sua vida, sendo, também, um reflexo e um acompanhante para todas as suas emoções. 


“É o jeito mais fácil de eu conseguir me expressar. Eu sou uma pessoa muito sentimental, então às vezes, eu sinto muita coisa e eu sempre transmito nas artes. [...] Eu estou sempre criando”, conta Valentina, orgulhosa. 


Seu talento é notável, impossível de passar batido e, logo, chamou a atenção do Sesc de Guarulhos, que entrou em contato com ela, pela primeira vez, com um convite para expor as suas peças, junto a outros artistas. Foi um momento marcante, sua primeira exposição coletiva e, ainda, um reconhecimento de que o caminho que escolheu foi feito para ela. Essa oportunidade fez com que, posteriormente, viesse um novo convite. Dessa vez,  para realizar uma oficina, no espaço jovem da unidade, convidando desde pré-adolescentes a adultos de até 30 anos para montarem suas próprias peças, tendo experiência prévia ou não. 


A oficina funcionou durante quatro dias, misturando a produção de brincos, chaveiros, decorações e seus icônicos palhacinhos, que estão disponíveis para a compra, através de seu Instagram (@aartevale), com outras peças maravilhosas como cinzeiros, porta-isqueiros e seus próprios chaveiros e brincos.


Oficina de Biscuit - Foto: Isabela Salomão
Chaveiros de Biscuit - FOTO: Isabela Salomão

Na oficina, Valen oferecia inspirações para as montagens e, também, se colocava à disposição para auxiliar em qualquer parte do processo. Ela relata se sentir muito orgulhosa de poder espalhar a arte por onde passa. Também conta sobre sua conexão com a arte e que acredita que esse seja seu destino. “Sempre quando eu estou expondo as artes, eu acredito fielmente que é isso que eu vim fazer aqui, porque, às vezes, no processo, a gente pensa muito em desistir, (mas) quando eu vejo, e tenho essa troca com a galera, e ouço as pessoas falando “po, Valen, continua”, eu acho que isso me dá muita força.” 


Essa relação profunda com a arte vai além do estético para ela, é algo espiritual, diz que Deus, arte e amor, para ela, são como sinônimos. Para Valentina, criar é como respirar, um ato quase que involuntário, uma maneira de espalhar aquilo que acredita por onde passa, com carinho e sensibilidade. “Eu sinto que é uma grande responsabilidade, eu tento usar a minha palavra e o meu conhecimento para manifestar energias e coisas positivas.”


Apesar da paixão pelo que faz, ela relata ter uma ‘quedinha” por outras áreas,

principalmente pela biologia. “Eu acho que eu queria ser tudo, na verdade, eu acho que eu queria ser todas as coisas do mundo pra saber quem eu sou.” Sua arte carrega algo vivo, uma parte de si mesma que só é encontrada lá, e talvez seja justamente isso que a torna tão única e tão bela. São as incertezas e as emoções que trazem a sensibilidade em cada pedacinho de seus trabalhos. 


1 comentário


Marta Salomão
08 de nov. de 2025

Adorei o texto. Alegre, pulsante.

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