METHOD DRESSING: COMO O MARKETING FOMENTA SEUS “5 SEGUNDOS DE FAMA”
- Ana Azeredo

- 18 de jun.
- 3 min de leitura
A tendência que domina as estreias internacionais mostra como figurinos inspirados em personagens ajudam a construir expectativas, fortalecer narrativas e garantir que filmes permaneçam em evidência por muito mais tempo.

Com a crescente do capitalismo, até mesmo no âmbito artístico, o tapete vermelho deixou de ser apenas uma vitrine de moda para se tornar uma extensão do marketing cinematográfico. Celebridades e estúdios estão usando a técnica de method dressing (vestir-se de acordo com o universo, a estética ou a psicologia da personagem que estão divulgando) para criar teasers visuais contínuos.
Method Dressing VS Method Acting
A técnica do “Method Dressing” é originada de outra técnica da cinematografia que, ao invés de ser incorporada em âmbito social, é utilizada nos tapetes vermelhos e coletivas. O “Method Acting”, metodologia originalmente mais radical, consiste na encarnação literal do personagem, dentro e fora dos palcos (ou das telas) e, foi usada recentemente por Timothée Chalamet durante sua participação como personagem principal do filme “Marty Supreme”, onde o ator parecia agir como o personagem interpretado no longa em todos os eventos até o Oscar.
A atitude gerou muita polêmica por soar como prepotência e arrogância e, até mesmo pareceu uma justificativa plausível para a perda da estatueta por Timothée. Mas no caso do “Method Dressing” a proposta é um pouco mais segura, e consiste em encarnar o personagem apenas em ambiente performativo.
Um enorme exemplo de atriz que sabe e utiliza constantemente da técnica é a Zendaya. A técnica foi incorporada antes da estreia de grandes obras estreladas por ela, como por exemplo: Homem-Aranha, Duna e, mais recentemente, O Drama.
No caso mais recente, o longa, segundo a Rolling Stones, promete levar o público do idílio romântico ao caos psicológico em questão de minutos e, Zendaya é capaz de guiar o Method Dressing de forma quase didática através de figurinos que seguem a tradição do casamento ocidental em uma sequência de looks que funcionam como pistas visuais relacionadas ao universo do filme.

Muito Mais Que Moda, Marketing!
A metodologia em ascensão, principalmente nas telas internacionais, é pensada não como uma maneira de valorizar a moda, mas sim se utilizar dela em momentos estratégicos em prol da bilheteria. A estratégia de marketing busca gerar um storytelling interessante para o público interessado no universo do cinema, da moda, e dos atores envolvidos, gerando, além de engajamento, uma expectativa para as próximas pistas que surgirão.
Constantemente evitamos receber spoilers sobre qualquer narrativa futura, mas no caso do Method Dressing ele nos possibilita ter acesso ao universo cinematográfico sem nos revelar o contexto propriamente dito, apenas enfatizando a estética.
Nos últimos anos, o tapete vermelho deixou de ser apenas um espaço de exibição de luxo e glamour para se transformar em uma poderosa ferramenta de narrativa visual e marketing cinematográfico. Celebridades passaram a utilizar a moda como extensão dos filmes que promovem, criando conexões simbólicas entre figurino, personagem e identidade artística. Essa estratégia fortalece campanhas publicitárias, amplia o engajamento nas redes sociais e transforma cada aparição pública em uma peça promocional previamente pensada.
E Afinal, Qual o Papel da Internet? Além de fortalecer a divulgação cinematográfica, essa prática dialoga diretamente com a lógica das redes sociais e da cultura digital. Fazendo com que os looks utilizados assumam papel publicitário através da repercussão instantânea gerada pelas redes sociais, o que resulta na ampliação do alcance do filme sem depender exclusivamente de trailers e entrevistas tradicionais. Esse fenômeno também evidencia a colaboração entre moda e marketing, já que, ao mesmo tempo que grandes filmes são divulgados através de diversas estratégias, marcas de luxo enxergam nessas aparições uma oportunidade estratégica de visibilidade global. Assim, o tapete vermelho se desprende da ideia de um desfile de celebridades e se consolida como um palco de storytelling, onde roupas comunicam referências, emoções e universos ficcionais.





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