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Israel x Irã: 46 anos de confronto e o bombardeio que acendeu a guerra

  • Foto do escritor: Pedro Teles Marin
    Pedro Teles Marin
  • 22 de jun. de 2025
  • 6 min de leitura

Países rivais desde 1979, são protagonistas de um novo bombardeio que abalou o mundo nos últimos dias - "Quando você ataca a um país sem avisar, sem tentar negociar, você quebra acordos. [...] Quem de fato está usando táticas terroristas?" - disse especialista entrevistada para a realização desta matéria.


Bandeiras em confronto Israel e Irã
Foto: Gerada por IA - Chat GPT

Desde a última semana, o mundo se vê diante de um novo conflito no Oriente Médio. Na madrugada do dia 13 de junho (2025), Israel iniciou um ataque em sua nova operação contra o Irã, atingindo então mais de cem pontos no país. Em Natanz, a maior instalação de enriquecimento de urânio foi atingida. Com isso, o Irã em respostas ao ataque deferido, mais precisamente sua capital, o Teerã disparou mais de uma centena de drones contra o Estado israelense. A entrada direta dos Estados Unidos no conflito, as retaliações, os ataques via mísseis e drones são fatores que geram um alerta de crise global.


Até o ano de 1979, os Estados do Irã e de Israel mantinham relações diplomáticas, as quais foram rompidas após a Revolução Islâmica. O estilo político e governamental do Irã até esta época era monárquico, no qual o governo do último xá, o Xá Reza Pahlavi era aliado dos Estados Unidos e do Ocidente. Na Revolução Islâmica, liderada por Aiatolá Khomeini, houve uma mudança no estilo de governo, se tornando então uma República Teocrática Xiita. Logo após tal mudança, o Irã que até então reconhecia Israel como estado, passou a defender o contrário, rompendo relações com o país, deferiu um epíteto depreciativo a Israel, chamando-o de "O Pequeno Satã", o mesmo ocorreu para os Estados Unidos, sendo chamados de "O Grande Satã".


Desde então há o financiamento de grupos bélicos contra a existência do Estado de Israel, como o Hezbollah, no Líbano, além de milícias iraquianas e sírias. Israel sempre teve a suspeita de que o Irã financiava um programa nuclear de 1980, para fins bélicos, o que intensificou a rivalidade entre os dois países. Deste modo, o que começou há quase meio século, se reflete nos dias atuais, com novos conflitos e bombardeios, mas até onde isso chegará? Será uma guerra interminável agora com a entrada do governo norte-americano?


Durante o período de 2023 a 2024, o Estado de Israel intensificou ataques ao Hezbollah, e em bases militares do governo iraniano na Síria e no Líbano, em resposta o governo iraniano deferiu ataques via mísseis e drones no norte de Israel. Recapitulando, na madrugada de sexta-feira, dia 13 de junho, Israel bombardeou os principais centros nucleares iranianos, e deu início a operação Rising Lion, responsável por tais atos.


Três pontos iranianos que chamam a atenção de Israel e recentemente dos Estados Unidos, são as bases de Fordow, Natanz e Isfahan. Respectivamente, a primeira base mencionada enriqueceria urânio a níveis próximos de armamento nuclear, a segunda é o principal foco de enriquecimento de urânio e a terceira era o abrigo de usinas que tinham como foco pesquisas e produção de centrífugas acerca do teor bélico e nuclear.


A resposta do Estado do Irã ao israelense foi lançando  mísseis balísticos Sejjil e Shahab-3, que atingiram a maior cidade no deserto do Neguebe do sul de Israel, Beersheba, além de atingir o hospital de Soroka. Bases norte-americanas no Iraque também foram atingidas. Israel fechou embaixadas ao redor do mundo, o Hezbollah, no Líbano, disparou foguetes ao norte de Israel, além de navios na costa do mar vermelho terem sido atacados pelos Houthis, no Iêmen. O parlamento Iraniano aprovou no dia 22 de junho de 2025 o fechamento do Estreito de Ormuz, responsável pelo fornecimento de um quinto do petróleo mundial, medida tomada como resposta aos ataques cometidos pelos Estados Unidos da América.


Que os Estados Unidos e Israel são aliados, não é novidade muito menos surpresa, o Estado israelense cobrava o Estado americano uma resposta e uma ação mais contundente há meses. No dia 21 de junho, o governo norte-americano bombardeou três instalações nucleares no Irã, utilizando bombardeiros B-2 e mísseis Tomahawk. Em fevereiro, um mês após sua posse como novo chefe de estado do governo americano, o presidente Donald Trump retomou o conceito político de "pressão máxima" contra o estado iraniano. O líder estatal norte-americano proferiu um discurso em que disse: "Os Estados Unidos fizeram um ataque de alta precisão contra as três principais instalações nucleares do Irã: Fordow, Natanz e Isfahan. Todos guardem esses nomes, porque foi um ataque com o objetivo de destruir a capacidade nuclear iraniana. Para que deixem de ser uma ameaça nuclear e do terror. Isso é muito importante para o mundo. Os ataques foram espetaculares, foi um grande sucesso contra essas instalações de enriquecimento de urânio. [...]".


O Organização das Nações Unidas (ONU), convocou uma reunião de emergência na tentativa de aprovar um cessar-fogo, o que não se teve sucesso. Com os bombardeios, cidades como o Teerã (capital do Irã) tiveram que deslocar mais de 90 mil civis. Hospitais foram atingidos e houve mortes de civis tanto no Estado iraniano, quanto israelense, após os ataques balísticos.


A Critic & Culture entrou em contato com Nora Keite Sampaio, bacharel em Geografia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH - USP) e especialista em Relações Internacionais pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), a respeito da situação atual do conflito entre Irã e Israel. Com seu conhecimento, experiência e dedicação a respeito dos fatores históricos, geopolíticos e ideológicos que sustentam a rivalidade entre Irã e Israel desde a Revolução Islâmica de 1979, e como esse antagonismo moldou a dinâmica de poder no Oriente Médio, a especialista afirmou "Eu acredito que a gente precise pensar em relação a dois principais fatores, um o próprio projeto Sionista que é do século XIX, final do século XIX, mas se efetiva no Estado de Israel em 1948, com a resolução 181 da ONU. Esse projeto Sionista avança na região, inicialmente com um apoio mais tímido dos Estados Unidos, mas depois da década de 1970, os Estados Unidos tem uma proximidade com Israel, entendendo que ele seria uma peça importante, representando os interesses ocidentais no Oriente médio. O que muda é a Revolução Iraniana, você tem o movimento Sionista, você tem resistências, guerras com atores árabes ali, mas essa revolução tem outro caráter, porque ela vai romper diretamente com os Estados Unidos e ela vai fortalecer o islamismo Xiita dentro do Irã. E este islamismo Xiita (ele) se coloca diretamente contra o movimento Sionista. Então este discurso de querer exterminar Israel, apesar deste discurso ter sido proferido realmente, para o Irã não é o judaísmo, não é o civil judeu o problema, o problema é o movimento Sionista. Então esse é o antagonismo [...] além de toda característica cultural do povo, um povo aguerrido, com toda uma história de resistência, então não lutar, não é uma opção."


"Vão permanecer os ataques aéreos do lado iraniano, a gente tem não só bombas de diversos tamanhos, mas a questão de maior poder. O sistema de defesa do Irã é bem frágil, é um país extremamente sancionado e tem pouco acesso a informações via satélite, tem que receber muitas informações compartilhadas, da China e da Rússia, por exemplo. O espaço aéreo do Irã é mais frágil. Mas por que o Irã então se volta a elaborar mísseis de médio, de longo alcance, continentais, hipersônicos? Porque é uma tecnologia mais barata de defesa, os escudos. Ao que tudo parece, os Estados Unidos entrou no conflito, o Trump autoriza o ataque, sem a aprovação do congresso, que volta para uma questão sobre os valores democráticos e um debate global."


A especialista professora Nora Keite Sampaio foi de total importância para a execução desta matéria, com maestria e precisão em suas palavras, pude redigir um artigo com mais assertividade acerca do atual estado de calamidade que ocorre no Oriente Médio entre Israel e Irã. O céu carregado de drones e mísseis sobre Teerã e Tel Aviv não é apenas uma imagem de guerra — é o retrato de um Oriente Médio onde famílias se refugiam em abrigos, crianças crescem sob o som das sirenes e a incerteza se tornou rotina. Há mais de quatro décadas, essa rivalidade atravessa gerações, reconfigura alianças e espalha medo a cada novo ataque. Agora, com potências estrangeiras em campo e a ameaça nuclear mais próxima do que nunca, o mundo assiste em silêncio, como quem prende a respiração antes do próximo disparo. Porque, em conflitos assim, as fronteiras são linhas imaginárias que as bombas não enxergam.






1 comentário


profsimarin
23 de jun. de 2025

Excelentes matérias!

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