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A Estratégia de "Deportação em Massa" e Operações Internas nos EUA

  • Foto do escritor: Marta Dutra
    Marta Dutra
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

O segundo mandato de Donald Trump tem marcado as primeiras páginas de notícias do mundo afora. Entre deportações e escândalos, o ICE tem atuado veementemente contra imigrantes e até mesmo cidadãos estadunidenses.



Imagem gerada por IA | Chat-GPT
Imagem gerada por IA | Chat-GPT

Mas e se fosse na América Latina?


Países da América Latina são conhecidos por terem vivido alguns regimes ditatoriais. No entanto, os Estados Unidos são costumeiramente conhecidos por defender e valorizar os direitos humanos, a democracia e até intervir em governos latino-americanos antidemocráticos, servindo como modelo de referência para a democracia ocidental.

O episódio mais recente da defesa estadunidense pela democracia foi na prisão de Nicolás Maduro, ex-líder da Venezuela. A contradição ‘trumpiana’ se dá justamente por destituir um regime ditatorial na América Latina, concomitantemente isolando a economia americana do mundo por meio de taxações e impondo nos EUA a violência do ICE contra imigrantes e americanos que entrarem na frente.

A ideia de igualdade democrática, reconhecida desde Atenas e fortemente difundida pelos Estados Unidos, atualmente se perde no discurso de Donald Trump. Para o professor da Faculdade Cásper Libero, Jefferson Mariano, doutor em Desenvolvimento Econômico e analista socioeconômico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ações semelhantes ao que está acontecendo nos EUA se aproximam de pontos que no passado reconheceram a Venezuela como ditadura.

O confronto com instituições que regulamentam os direitos humanos, como a ONU (Organização das Nações Unidas) e a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), acende o alerta contra o governo estadunidense. “Se podemos chamar a Venezuela de ditadura, podemos chamar os EUA de ditadura”, afirma o professor.


A estratégia de Trump


Os ideais personalistas do governo Trump vem mudando o destino da nação estadunidense, reforçando ideais conservadores e políticas econômicas isolacionistas a fim de alcançar a Era de Ouro, ou melhor, “EUA para os americanos”.

Para mitigar os efeitos colaterais de seu governo conservador, Trump tem tentado sair do escopo que o elegeu. Assim como seu finado aliado, Charlie Kirk, Trump tem tentado atrair um público mais jovem publicando vídeos com músicas de artistas que lideram a playlist da geração Z, tais como Sabrina Carpenter e Olivia Rodrigo.

Além disso, o republicano tem avançado no culto à própria personalidade, com o rosto estampado em prédios públicos, como a faixa que foi hasteada na sede do Departamento de Justiça dos EUA com a sua imagem.

 

Mas o que é o ICE?


O ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement), ou Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, foi criado após os ataques de 11 de setembro de 2001 como parte de uma grande reforma de segurança no país.

A função do departamento de imigração é investigar, deportar, realizar prisões e detenções de imigrantes ilegais. Além disso, investiga crimes transfronteiriços, como tráfico humano, contrabando de drogas e violações da imigração.


 

Imagem gerada por IA | Chat-GPT
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A base da campanha eleitoral do segundo mandato


A xenofobia do líder dos Estados Unidos sempre foi pública e clara, mas nunca foi tão explícita quanto em sua última campanha eleitoral. Na última eleição, o republicano saiu da bolha do X (antigo Twitter) e propagou em suas campanhas eleitorais o que realmente pensava — e encontrou quem concordasse.

Pode-se dizer que o preconceito de Trump, foi um de seus maiores trunfos contra os líderes do Partido Democrata, pois, desde o início da campanha eleitoral, Trump deixou claro aos eleitores que combateria o inimigo interno da nação: os imigrantes.

Mas o presidente tem lidado com a questão de uma forma tão questionável que até parte de seus próprios eleitores demonstra desaprovação: uma pesquisa do Washington Post-ABC News-Ipsos apontou que quase 58% dos eleitores de Trump desaprovam seu governo, ou seja, o presidente tem perdido aliados.


Xenofobia e racismo em pauta


Publicamente, os Estados Unidos é um país racialmente dividido entre afro-americanos, americanos (brancos) e imigrantes. Apesar da abolição da escravatura ter sido promulgada pelo Partido Republicano — influenciada por motivos econômicos — hoje o líder do mesmo partido de Abraham Lincoln, Donald Trump, persegue imigrantes e prática racismo publicamente, como no episódio recente contra o casal Obama, em que Trump os caracteriza como macacos.

A ironia da discussão é a forma como os Estados Unidos foi constituído, pois, assim como o Brasil, os EUA foi um país formado, sumariamente — sem contar a aniquilação do povo indígena — por imigrantes e nativos. Mas a construção de uma nação feita por imigrantes tem sido deixada de lado pelo presidente.


O Conto da Aia nunca esteve tão perto da realidade


Na distopia de Margaret Atwood, a república de Gillead (antigos Estados Unidos) sofre um golpe de Estado e vive um regime teocrático machista com rígido controle sobre os cidadãos, especialmente sobre as mulheres, que existem para reproduzir — mesmo que seja à força. Na república cristã de Gillead, a democracia não cai da noite para o dia, ela é desmontada por sucessivos decretos e pela imposição do medo.

A república se mantém firme e isolada do mundo, principalmente porque os cidadãos acreditam que estão evoluindo, deixando uma liberdade vazia para trás e adquirindo uma superioridade moral puritana por meio de fundamentos bíblicos.

Na série, as normas são necessárias para vencer o problema da infertilidade. A proximidade entre a distopia fundamentalista e a realidade se dá, principalmente, na violência estatal utilizada na série e empregada em ações do atual governo estadunidense, que tem realizado nos últimos dias um verdadeiro caça às bruxas.

 

O efeito da extrema direita nos EUA


A corrosão democrática enfrentada pelos EUA tem sido discutida por especialistas que buscam entender como a extrema direita chegou ao poder americano.

Para o professor Jefferson Mariano, a ascensão da extrema direita nos EUA foi movida em grande parte por conta das crises financeiras. “Deve-se, em grande parte, ao fracasso dos Democratas em conseguir estabelecer uma política de bem-estar social. Por exemplo, Barack Obama não conseguiu estender um plano de saúde universal. A resposta foi a ascensão da direita com Trump”, afirma o professor.

As crises do último governo Obama deram brechas para discursos de cunho xenofóbico. Para Trump, o culpado da crise? O imigrante que está chegando.

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