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Eu chorarei pelo Irã

  • Foto do escritor: João Assis
    João Assis
  • há 1 hora
  • 2 min de leitura

Mais de 150 meninas não chegarão à adolescência, os mísseis chegaram antes. E é inquietante a dúvida se chegaram a ser crianças. Paulo Freire acreditava que a leitura do mundo precedia a leitura da palavra. O que a guerra fez com as primeiras interpretações dessa quase juventude com o seu redor?


Foto: Reuters via BBC
Foto: Reuters via BBC

O genocídio promovido pelo Estados Unidos e Israel rouba a possibilidade de as crianças árabes lerem o mundo, quem dirá as palavras. As análises se recusam a derramar lágrimas, entre suas justificativas, dizem-se convictas na conquista de uma maior “liberdade feminina” em sucessão do enfraquecimento do regime teocrático iraniano. Esquecem que, dentre as palavras roubadas dessas futuras mulheres, “liberdade” poderia ser a mais pronunciada. Mas esta morre nos estômagos árabes e sai da boca do mandatário do genocídio.

Donald Trump enquanto patrocina o bombardeio de hospitais, escolas e casas no mundo árabe, é metralhado diariamente com novas exposições de seu envolvimento com Jeffrey Epstein e seu império de exploração sexual e pedofilia. O principal líder do “mundo civilizado”, como nomeou o ESTADÃO, está pressionado. Citado em diversos documentos do escândalo de exploração sexual, o presidente ainda lida com a cada vez mais evidente ultrapassagem chinesa na disputa comercial mundial.


(Foto: Mehr/EFE)
(Foto: Mehr/EFE)

Enquanto estuda possibilidades para conseguir um irregular terceiro mandato na presidência dos Estados Unidos, o chefe da Casa Branca dobra a aposta na tensão internacional e transforma disputas econômicas em confrontos bélicos, mirando aliados comerciais chineses como o Irã e a Venezuela. Os países que tiveram seus líderes, respectivamente, assassinados e sequestrados pelos Estados Unidos negociaram cerca de 80% do seu petróleo bruto com a China no último ano.

O preço da transição da disputa econômica para o campo bélico tem sido a vida de inocentes, ontem foram 153 crianças iranianas. Com Israel mirando impedir a concretização da bomba atômica iraniana, o genocídio não tem previsão para acabar. O ESTADÃO finalizou seu editorial declarando: “Seja lá quais as motivações por trás da guerra, se esse for seu resultado será bom para o mundo inteiro”.

Nelson Rodrigues uma vez disse que o homem que não chora apodrece em vida. Seco as lágrimas e peço que seja jogada no lixo a imprensa apodrecida. 

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