Homem com H: a cinebiografia poética e provocadora de Ney Matogrosso
- Pedro Teles Marin

- 21 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 21 de jun. de 2025
A cinebiografia de Ney Matogrosso "Homem com H" mostra a ascensão do cantor com maestria, talento e a força que o mesmo representa.

Neste ano (2025), o cinema nacional ganhou mais uma cinebiografia, e desta vez, a história contada foi sobre a vida de Ney Matogrosso, desde sua infância reprimida até sua ascensão em sua carreira de sucesso. O filme estreou em 01/05/2025 nos cinemas e está disponível na Netflix, foram investidos mais de dezessete milhões de reais na produção do filme. Dirigido por Esmir filho, produzido pela Paris Filmes e inspirado naa biografia "Ney Matogrosso: A história", de Julio Maria. O longa-metragem foi protagonizado pelo ator Jesuíta Barbosa, que por sinal entregou uma atuação impecável (falarei mais sobre isso nos parágrafos abaixo).
O longa-metragem tem uma abordagem poética e multifacetada, na qual percorre a história do artista com grande estilo e coerência com a realidade. A trama começa mostrando sua infância conturbada em Campo Grande até sua consagração como o grande cantor que Ney Matogrosso é. Além de retratar a vida e história de uma das maiores vozes do Brasil, o filme te convida a entrar na história com suas cores, maquiagens e sonoplastia. É um convite ao acontecimento que é Ney Matogrosso, um cantor ímpar.
"Homem com H", mostrou a quem assistia ao filme que não devemos nos esconder na esfera de uma identidade que não é a nossa. Ney Matogrosso passou por grandes dificuldades no quesito da repressão vivida, principalmente por seu pai, um militar do Exército, vivido por Rômulo Braga na trama. O elenco além de Barbosa e Braga foi constituído por Jullio Reis (Cazuza), Bruno Montaleone (Marco de Maria), Hermila Guedes (Beíta, sua mãe). O longa traz ao telespectador uma cronologia desde sua infância em Campo Grande, a sua passagem pela Aeronáutica, sua entrada na banda Secos & Molhados, seus relacionamentos, sua maturidade como artista e também como pessoa, até chegar nos dias atuais.

Jesuíta Barbosa teve uma interpretação espetacular do artista, no qual teve um estudo primoroso e dedicado, entregando trejeitos e uma atuação de excelência. Realmente parecia que eu estava vendo o próprio Ney na sala de minha casa. Além do estudo de trejeitos, falas e ações, Barbosa emagreceu 12 quilos para o papel, que com certeza ficará marcado como uma de suas melhores interpretações. Nos momentos em que Ney cantava no filme, não era a voz do ator, logo, em todas as músicas Jesuíta Barbosa dublou a marcante e inconfundível voz de Matogrosso.
O filme tem uma tremenda sensibilidade, no bom sentido, claro, isso porque reflete em nós as feridas que o artista foi capaz de enfrentar para se tornar o símbolo de força e resistência que tanto representa. Temas como a identidade de gênero, a luta contra a AIDS e a censura, são emocionantes. Cazuza interpretado por Jullio Reis, teve grande participação na vida de Ney Matogrosso, sendo mostrado com intensidade no filme, o que fez jus ao que também representou em sua vida, história e carreira.
A fotografia do longa é perfeita, te levando junto com os focos e enfoques das lentes, o que faz total diferença quando o intuito é a primordialidade em representar uma das figuras mais espetaculares da cultura nacional. A trilha sonora foi composta por "Homem Com H", "Sangue Latino", "Rosa De Hiroshima", "Pro Dia Nascer Feliz", entre outros sucessos de Ney, Cazuza e Secos & Molhados.
Por fim, termino este artigo dizendo que a trama abordou com maestria a vida do cantor, o que é um símbolo de resistência e originalidade. Assim como no fim de sua cinebiografia termino esta matéria com "Para Ney Matogrosso, por ousar ser livre", porque ser livre é, antes de tudo, um ato de coragem.





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