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O Norte celebra: tradição e emoção em Parintins

  • Foto do escritor: Pedro Teles Marin
    Pedro Teles Marin
  • 26 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Entre os dias 27, 28 e 29 de junho, a cidade de Parintins, localizada no estado do Amazonas, será palco para um dos maiores festivais folclóricos do país.


Festival de Parintins
FOTO: Pexels | Jordy Neves

No último final de semana do mês de junho, desta vez (2025) nos dias 27, 28 e 29, a cidade de Parintins é o berço de um dos festivais mais gloriosos e sensoriais do Brasil. Mais do que um espetáculo, o Festival de Parintins é resistência, um manifesto cultural e muita emoção, sendo protagonizado pelos bois-bumbás, Boi Garantido e Boi Caprichoso, falarei sobre a história, tradição, sobre os protagonistas e das três noites no Bumbódromo nos parágrafos abaixo!


A cidade de Parintins fica às margens do Rio Amazonas e também é conhecida como "Ilha Tupinambarana" ou "Ilha da Magia". Localizada a 369 quilômetros da capital amazonense, Manaus, é acessível apenas de barco ou de avião, o que demonstra sua esfera reservada, garantindo suas lendas e seu folclore intactos. Partindo de Manaus, a viagem por barco leva de 11 a 18 horas, e de avião, apenas 1 hora. Fundada em 1852, Parintins era apenas uma pequena aldeia de indígenas Tupinambás. denominados "Parintins", que significa "guerreiros valentes" ou "os que combatem".


O Festival de Parintins nasceu de uma das mais tradicionais brincadeiras portuguesas, a de boi-bumbá, que foi trazida pelos colonizadores portugueses por volta do século XIX. Com o passar do tempo, essas brincadeiras chegaram ao estado do Amazonas, onde foram adaptadas pela população ribeirinha, próximos do que é hoje, mas no quesito representativo e folclórico. Esta população, que absorveu tal cultura e a multiplicou, realizava festas juninas com apresentações do boi-bumbá (naquela época sem Caprichoso ou Garantido).


O primeiro Festival foi em 1965 organizado pela Juventude Católica, com o intuito de arrecadar fundos para a construção da catedral de Nossa Senhora do Carmo. Neste ano inicial, várias quadrilhas foram executadas para animar a programação, mas foi apenas no ano seguinte, em 1966 que os bois Garantido e Caprichoso fizeram parte do festival. E falando nos bois-bumbás, os dois bois nasceram no ano de 1913, em lados totalmente opostos da Ilha de Parintins. O Boi Garantido é branco e carrega em sua testa um coração vermelho, e foi criado por Lindolfo Monteverde a partir de uma promessa feita a São João Batista, na qual se fosse curado de uma doença grave, ele criaria o boi, e assim foi feito.


Boi Garantido - Festival de Parintins
FOTO: Pexels | Jordy Neves

Já o Boi Caprichoso é preto e carrega em sua testa uma estrela azul, criado no bairro de Urubuzal, também advindo de uma promessa a São João. Fundado por dois irmãos, Roque e Pedro Cid, que eram migrantes nordestinos, que levaram tradições e culturas para o local. O nome do Boi Caprichoso surgiu a partir de uma fala de um advogado, que disse "Se aquele boi branco é garantido, o nosso boi preto é caprichado". A partir disso, os dois bois-bumbás se tornaram os protagonistas do Festival Folclórico de Parintins, que é uma das maiores representações culturais.


Boi Caprichoso - Festival de Parintins
FOTO: Pexels | Jordy Neves

Você sabia que a cidade é dividida entre o lado azul (Boi Caprichoso) e o lado vermelho (Boi Garantido)? Pois é, assim também se aplica no Bumbódromo, localizado do centro de Parintins, onde tem o formato de cabeça de boi e é dividida ao meio, para acomodar as torcidas dos dois bois. Durante as três noites do festival, cada boi apresenta um grande espetáculo, formado por toadas, danças e encenações com um tema da atualidade. É como se fosse um desfile de carnaval aqui no sudeste.


Misturando elementos das culturas africana, indígena e europeia, a lenda do boi-bumbá gira em tono de um casal de escravizados, o Pai Francisco e a Mãe Catirina. De acordo com a história, Catirina está grávida e tem o desejo de comer a língua do boi mais formoso da fazenda, e para agradar o desejo de sua esposa, pai Francisco mata o animal preferido do patrão. O patrão descobre e fica enfurecido, e curandeiros, pajés e até membros do clero são chamados para ressuscitar o animal. Por milagre, o boi revive e com uma grande celebração, o casal é perdoado! Linda esta história, não é? Esta lenda é encenada por cada um dos bumbás, que tem sua própria interpretação da história, com música, dança, teatro e grandes alegorias.


O Festival Folclórico de Parintins é muito mais do que apenas uma apresentação, é a voz da Amazônia, é a voz de um povo que muitas vezes é calado e esquecido. O festival é resistência, é folclore nacional, que deve ser mais conhecido e respeitado principalmente pelos próprios brasileiros. O Norte celebra, os bois-bumbás expressam e a Ilha Tupinambarana é o berço de tudo isso. Por três noites, Parintins não dorme, sonha acordada com bois encantados e lendas que jamais envelhecem, reforçam ainda mais o folclore brasileiro e sua imensa cultura. "Balança, balança, balança, povo! É boi! É boi!"


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