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Conclave: filme indicado ao Oscar aborda uma das eleições mais secretas do mundo, contrastando realidade e ficção

  • Foto do escritor: Pedro Teles Marin
    Pedro Teles Marin
  • 7 de mai. de 2025
  • 4 min de leitura

Filme indicado ao Oscar em oito categorias se tornou o mais assistido na plataforma de streaming Prime Video após a morte do Papa Francisco, despertando a curiosidade acerca do processo eleitoral católico.


Imagem criada por inteligência artificial - Copilot
Imagem criada por inteligência artificial - Copilot

No dia 21 de abril, o mundo se despediu de Jorge Mario Bergoglio (1936 - 2025), mais conhecido como Papa Francisco. Francisco era conhecido por sua humildade, coração nobre, atitudes justas, por sua compaixão e misericórdia. Optou por negar às vaidades do mundo em seu papado, tendo se destacado por isso, e por sua igreja inclusiva, acolhedora e humilde. Desafiando vários dogmas e tradições impostas pelos ritos latinos, o que o aproximou do povo, dos pobres, isolados e esquecidos. Sua morte impactou o mundo e colocou o filme Conclave (2024) como o mais assistido na Prime Video.


O que é o Conclave?


O Conclave é um processo de eleição realizado pela Igreja Católica, para se escolher o novo pontífice. É uma cerimônia totalmente sigilosa, na qual apenas cardeais de até 80 anos, na morte do antigo Papa, são votantes e se reúnem na Capela Sistina, isolados até que escolham um novo bispo de Roma. A votação só é encerrada quando 75%, logo dois terços dos votos forem direcionados a um Cardeal. Cardeais com mais de 80 anos podem ser eleitos, mas não podem votar. A comunicação com o mundo exterior está totalmente proibida durante este período. Quem lidera o a cerimônia é o Camerlengo ou Cardeal Decano, como é representado no filme.


Como funciona?


Os votantes escrevem em um papel o seu voto, e ao depositar na urna proferem estas palavras: Testor Christum Dominum, qui me iudicaturus est, me eligere quem secundum Deum iudico elegi debere., que significam: Invoco como testemunha Cristo Senhor, que me há de julgar, que o meu voto é dado àquele que, segundo Deus, julgo que deve ser eleito. Depois de todos os votos depositados na urna, há feita a contagem, e um cardeal assistente ao serem lidos os votos os costura com uma agulha e linha vermelha. Terminada a votação, caso não haja um candidato eleito, ao incinerarem os votos, um composto químico é adicionado, propagando pela chaminé acima da Capela Sistina uma fumaça preta. Caso seja eleito o novo pontífice, uma fumaça branca toma seu lugar. Em seguida, o candidato escolhido é questionado se aceita o posto. Caso aceite, o mesmo escolhe seu nome Papal. Mais tarde no mesmo dia, o Cardeal Protodiácono com a responsabilidade de revelar ao mundo o novo Papa, profere as seguintes palavras: Habemus Papam, significando: Temos Papa.


O filme


Baseado e adaptado de "Conclave" de Robert Harris, o longa tem o foco principal no Cardeal Lawrence (interpretado por Ralph Fiennes), responsável por aquele Conclave - já que é o Cardeal Decano - que descobre segredos que podem prejudicar a imagem da Igreja, tomando decisões para evitar uma catástrofe. Também aborda o isolamento dos cardeais, após a morte do Papa, misturando elementos reais e de ficção. A obra conta com a direção de Edward Berger, roteiro de Peter Straughan e sendo de gênero drama e suspense. Estrelado por Ralph Fiennes, Stanley Tucci, John Lithgow, Sergio Castellitto, Isabella Rossellini, o filme tem a duração de duas horas, que passam rápido, pela imersão que o filme desperta. Foi indicado ao Oscar em oito categorias, tendo vencido em apenas uma, a de 'Melhor Roteiro Adaptado'.


Sem dúvidas este é um filme muito bom, e vale a suas indicações ao Oscar, mas não sei se todas. Talvez a de 'Melhor Figurino' e de 'Melhor Filme' tenham sido um tanto quanto equivocadas. Ralph Fiennes fez um bom trabalho, juntamente com Tucci que também mostrou ao que veio, representando juntamente a Ralph, cardeais liberais como o pontífice morto, mostrado no longa. A fotografia foi muito bem trabalhada e com certeza bem aproveitada, efeitos especiais também compuseram o filme. Há fatos que são totalmente ficcionais, como um cardeal ser ordenado em sigilo, o que na realidade é totalmente impossível.


Sabe-se que além de um rito religioso, o Conclave é um mecanismo político, já que o Papa é o líder do Vaticano e da Santa Sé. Percebe-se ao decorrer do filme que isso é muito bem explícito, gerando suspense e apreensão para se descobrir quem será o novo bispo de Roma. A Capela Sistina, cenário principal do filme, foi recriada para as gravações, já que é terminantemente proibido qualquer tipo de filmagem em seu interior. O Cinecittà Studios  foi por alguns dias o ambiente decisório da Santa Sé, tendo recriado a estrutura e, digitalmente, o teto da Capela, além da Casa de Santa Marta, onde o pontífice mora e os cardeais ficam hospedados e a Basílica de São Pedro, digitalmente.


Houve uma proximidade com a realidade e pontos ficcionais, o que gerou momentos críticos na trama e suspense, tendo agradado muitos cinéfilos. Outro filme com uma temática parecida é : "Dois Papas - 2019 | Netflix", que aborda o Conclave do Papa Bento XVI e posteriormente sua renúncia, e o Conclave do Papa Francisco. Tanto "Conclave" quanto "Dois Papas" são obras muito boas e que valem a pena assistir. No momento em que escrevo este artigo, o Conclave de verdade acontece no Vaticano, e em breve uma fumaça branca que acredito que simboliza muito mais do que a certeza do escolhido, mas também um pedido de paz, coisa que o mundo precisa.



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