top of page

CALENDÁRIO ORGANIZADO, FUTEBOL VALORIZADO?

  • Foto do escritor: Fábio Soares Mansi
    Fábio Soares Mansi
  • 22 de fev.
  • 3 min de leitura

As mudanças promovidas pela CBF foram fundamentais na busca pela aprimoração do futebol brasileiro, mas seu verdadeiro teste virá quando o novo modelo funcionar sem a interferência da Copa do Mundo


Foto de Edu Andrade/Staff Images/CBF
Foto de Edu Andrade/Staff Images/CBF

A tão aguardada e solicitada reformulação no calendário do futebol brasileiro finalmente aconteceu, e chegou prometendo melhorias significativas. Para o ano de 2026, a CBF modificou as datas das suas competições: os Estaduais, o Brasileirão e a Copa do Brasil e criou a Copa Sul-Sudeste.

As equipes reclamavam do desgaste físico e mental que o alto número de partidas por ano causava em seus atletas, alegando que não era possível manter o nível quando as temporadas chegavam perto do fim...


Mas será que as alterações foram de fato benéficas?


Os estaduais, que eram o principal alvo das reclamações, são campeonatos muito importantes, principalmente para os torcedores, mas que já foram muito mais valorizados no passado. Hoje em dia, são tratados pela maioria dos clubes como apenas uma pré-temporada, e sendo assim, não deveriam consumir tanta energia dos jogadores.

Para as equipes pequenas, essa mudança foi prejudicial. Times de menor expressão disputam menos partidas ao longo do ano - ainda que alguns tenham a Copa Sul-Sudeste, a Copa Verde e a Copa do Nordeste para disputar-, o que faz com que a questão física e mental dos atletas não seja um grande problema, mas a parte financeira sim. Os estaduais são sua receita principal, sendo uma ótima vitrine para patrocínio e para possibilitar vendas de ativos que se destacam, principalmente em partidas contra grandes adversários. Em outras palavras, para essas equipes, essa mudança no calendário significa menos bilheteria, menos patrocínio e menos vendas.

Pensando nos clubes de maior expressão, essa mudança, na teoria, foi um acerto da CBF, porque possibilita menos desgaste. Porém, neste ano, nós não veremos como essa alteração irá funcionar realmente, e isso tem um grande motivo: A Copa do Mundo.

A Confederação Brasileira de Futebol planejou e estruturou o novo modelo do calendário para um ciclo de quatro anos, logo, até 2029, teremos essa mesma organização de datas. Mas nesta temporada, devido à paralisação para o maior torneio de futebol do mundo, os jogos serão menos espaçados, o que significa menos descanso e tempo de preparação para os clubes. E isso sem contar as datas Fifa, algo inevitável e que não deve mudar ao longo dos anos.

O intervalo durante a Copa irá proporcionar às equipes cerca de 50 dias sem jogos. Nesse período, os jogadores que não vão disputar o torneio deverão ganhar alguns dias de descanso, mas na maior parte desse tempo estarão se preparando para a volta aos gramados. Já os que irão servir suas seleções, consequentemente não terão esse tempo de preparação, voltando mais desgastados para suas equipes. Essa não é a preparação mais adequada, afetando o entrosamento do time e prejudicando o estado físico dos atletas, que logo ao retornarem já irão enfrentar uma maratona de jogos.


Foto por Rafael Ribeiro/CBF
Foto por Rafael Ribeiro/CBF

É possível afirmar que as alterações promovidas pela CBF tiveram uma ótima intenção, o que já é um grande avanço e demonstra, como garantido pela própria entidade, o compromisso em proporcionar crescimento esportivo e técnico às equipes, previsibilidade ao calendário e tornar as competições mais atrativas para investimentos e torcedores. Porém, só será possível afirmar que foram assertivas no final do ano, quando tivermos a primeira amostra de como tudo se saiu.

Em 2027, veremos como essa mudança irá funcionar sem a necessidade da pausa para a Copa do Mundo, o que deve fazer com que os jogos sejam mais espaçados, proporcionando de fato mais tempo para os clubes se prepararem e se organizarem, com todos os seus ativos à disposição.

Isso também favorece um ditado que deveria ter mais influência no esporte: “Quantidade não é qualidade”. Todos os fãs de futebol, espalhados pelo mundo inteiro, adoram a sensação de ligar a televisão e ver que uma partida está acontecendo. Mas a verdade é que o excesso de jogos diminui o espetáculo. O futebol não pode ser consumo automático.

Chegou o momento de pensarmos com mais carinho no potencial do nosso futebol. A maioria dos atletas, comissões técnicas e outros profissionais que atuam em solo brasileiro são muito capacitados. É necessário enxergar que, priorizando a qualidade, mesmo que diminuindo a quantidade de jogos, estaremos evoluindo. O Brasil é o país do futebol e é importante termos consciência disso.

A atitude da CBF em reconhecer o calendário como um problema estrutural representa um avanço na busca pela valorização do nosso produto. O que foi feito não se trata apenas de reorganizar datas, se trata de definir que tipo de futebol queremos oferecer, e isso resultará em mais exibição e popularização daquilo que é nosso e que nos representa pelo mundo inteiro.



Comentários


2026 | TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

bottom of page