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A crise da arbitragem no Brasil

  • Foto do escritor: Fábio Soares Mansi
    Fábio Soares Mansi
  • 16 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

O Brasileirão 2025 chega à sua reta final marcado por polêmicas que excedem os gramados.


Foto:  Criada por IA CHAT-GPT
Foto:  Criada por IA CHAT-GPT

Em meio a viradas épicas, duelos táticos e golaços, a arbitragem assumiu o papel de protagonista, e para o mal.

O clássico entre São Paulo e Palmeiras, pela 27ª rodada, foi o estopim, após decisões contestadas por ambos os lados, principalmente do tricolor. A partir dali, os erros de arbitragem começaram a ser ainda mais debatidos pelo país inteiro, em programas esportivos, redes sociais, coletivas de imprensa e outras entrevistas. Rodada após rodada, times e torcedores reclamam de falhas que interferiram no resultado de diversas partidas.


Como exigir excelência sem condições de trabalho?


Essas falhas são consequência de uma arbitragem ainda não profissionalizada no Brasil. Os árbitros recebem apenas quando são escalados, ou seja, se ficam fora de atividade - por afastamento, reprovação em testes ou simplesmente por escolha da comissão -, também ficam sem remuneração. É fato que a elite do apito - árbitros que fazem parte do quadro da FIFA - recebe valores expressivos, mas eles são minoria. A maioria ganha muito menos, dificultando o investimento em preparo físico, psicológico e técnico. E os efeitos disso aparecem em campo com frequência.


Movimentos por mudança


Existem sinais de avanço. O Projeto de Lei que aborda a profissionalização dos árbitros no Brasil foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), do Senado Federal. Na mesma linha, a Comissão do Esporte na Câmara dos Deputados aprovou a realização de uma audiência pública para discutir o tema, que propõe um debate com um foco maior nos erros recorrentes, a falta de padrão nas análises e a incoerência no uso do VAR.


A CBF começa, enfim, a agir


Na reunião inaugural do Grupo de Trabalho da Arbitragem (GT), promovida pela CBF, o presidente da entidade, Samir Xaud, anunciou a implementação do impedimento semi-automático para a temporada de 2026. O GT irá elaborar normas para a modernização da arbitragem e tem a profissionalização como prioridade, em sintonia com o Projeto de Lei aprovado.


Só tecnologia não basta


Modernizar a arbitragem não se resume a apenas investir em mais tecnologias. Envolve também a padronização de critérios.

Cada árbitro tem sua maneira de interpretar o jogo, e obviamente é quase impossível fazer com que todos pensem da mesma forma. São seres humanos. Mas reduzir as diferenças é fundamental para a credibilidade dos campeonatos no Brasil. Unificar as orientações traria mais transparência e, consequentemente, uma redução nas críticas aos árbitros.

A tecnologia é uma aliada essencial, mas sem preparo humano e estrutura profissional, ela é apenas um recurso caro e ineficaz.


A desordem presente nos gramados


Sem um ambiente organizado, qualquer erro mínimo se transforma em combustível para desrespeitar a arbitragem - a cobrança é algo essencial, mas sempre deve ser feita de forma respeitosa. Erros como os que aconteceram este ano são indignantes, mas é primordial que os dirigentes, jogadores e comissão técnica tenham mais respeito. O que vemos nas partidas é um absurdo. Basta uma decisão contestável e o árbitro perde o controle do jogo. Não existe autoridade alguma. Os árbitros falham e muito, sim. Mas não é a postura agressiva que vai mudar isso.


O ego está guiando o futebol brasileiro


Quanto aos clubes, é evidente que só pensam em si mesmos, não em prol do futebol brasileiro. As notas que foram publicadas no decorrer do campeonato só representam o interesse de quem se sente prejudicado no momento, e isso contribui para agravar a situação que vivemos com a arbitragem no nosso futebol.

Enquanto as equipes não se unirem em busca de uma solução, não haverá nenhuma mudança. Equipes sendo beneficiadas e prejudicadas em todas as rodadas, críticas fortes aos árbitros e uma pressão egoísta. Um ciclo infinito.


Sem coletividade, nada muda


Com o ótimo início de gestão do presidente Samir Xaud, a CBF está dando indícios de que irá fazer o possível para contribuir com a melhora da arbitragem, mas todos deveriam pensar em conjunto para isso. A entidade máxima do futebol no Brasil, os clubes e seus dirigentes, as comissões técnicas e os jogadores. A credibilidade e a busca pelo mais alto nível para o futebol brasileiro é uma responsabilidade coletiva.


 
 
 

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