Pequenas gentilezas que mudam o dia
- Ana Azeredo

- 16 de out. de 2025
- 2 min de leitura

Em tempos de extrema pressa para chegar ao trabalho, para fazer compras e até mesmo para atravessar a rua, pequenos gestos de gentileza passam por momentos de escassez, quase extinção em massa. Vivemos em um ritmo acelerado, onde a eficiência e a rapidez muitas vezes ofuscam o essencial: a conexão humana. Em meio ao turbilhão de e-mails, reuniões e notificações incessantes, é fácil cair na armadilha do individualismo, transformando as ruas e corredores em espaços vazios e sem vida.
Não estamos falando de atos heroicos ou grandes doações, mas sim de gestos quase invisíveis que têm o poder de realinhar um dia. É o "bom dia" sincero para o porteiro, o ato de segurar a porta do elevador para quem está entrando, ou o sorriso dado ao caixa do mercado. Estes são os microssegundos de altruísmo que quebram a barreira do anonimato e injetam uma dose de humanidade no cotidiano, digamos que tornam a vida mais suportável.
Em uma sociedade que frequentemente se concentra no que nos separa—opiniões, classes sociais, origens—a gentileza atua como uma linguagem universal. Ela desarma o estresse, suaviza a frustração e, o mais importante, reconhece o outro. Quando você cede o lugar no ônibus, você não está apenas liberando um assento; você está validando o cansaço e a pressa daquela pessoa, dizendo, sem palavras, "eu te vejo". Segundo estudos, a psicologia é capaz de comprovar a atuação de uma espécie de “efeito cascata” da bondade, quando alguém recebe uma gentileza inesperada—um elogio genuíno, uma ajuda para levantar algo que caiu—a probabilidade de essa pessoa, por sua vez, ser gentil com o próximo aumenta exponencialmente.
Uma pequena gentileza não é apenas um ato isolado, mas sim um catalisador que inicia uma reação em cadeia positiva. Ela eleva o humor individual e,por consequência, a energia coletiva de um ambiente. Em nosso ambiente de trabalho, um colega que elogia e reconhece o esforço de outro não só melhora o moral da equipe, mas também constrói a confiança e a resiliência do grupo. Em uma comunidade, vizinhos que se oferecem para regar as plantas uns dos outros criam uma rede de segurança social que é inestimável. A gentileza, em sua forma mais simples, é um investimento na participação coletiva, é um meio de criar conexões sinceras, é uma maneira genuína de fazer a diferença.
Em um mundo de polarizações, a cumplicidade é uma forma de sobrevivência, como eu havia mencionado: “tornam a vida mais suportável”, o que fortalece a fala da médica e escritora, Ana Claudia Quintana, de que a única maneira de ter uma vida e, principalmente uma velhice, saudáveis é criando laços. As pessoas se esqueceram de como é viver em comunidade, São Paulo é o estado mais populoso do país e parece emocionalmente árido. Não buscamos mais conexões ao acaso, mas o futuro irá nos cobrar, cedo ou tarde, pela nossa falta de “estratégia de sobrevivência comunitária”.
A gentileza é uma escolha, assim como andar sem olhar para o lado, sem observar o mundo a sua volta, assim como banalizar a violência diária e definir “sucesso” por parâmetros financeiros, por isso, escolha mudar, escolha o contato, escolha o coletivo, escolha ser a diferença e, por fim, "Ame as pessoas e usa as coisas o máximo que tu puder."_Chorão.
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